Fui convidado por um jornal local a prestigiar a estréia do filme “Deus não está Morto”, e lá chegando, o primeiro sinal de um desastre iminente: filme dublado….
Pois bem, superado o trauma, comecei a assistir aos 112 minutos de filme que contam tantas histórias envolvendo a fé, que a trama se perde em falta de continuidade e sentido nas tragédias ali apresentadas.
Basicamente o filme se desenvolve em torno de Joss Wheaton, um cristão que, ao ser confrontado por um professor de filosofia, decide provar para ele que Deus não está morto, mostrando argumentos de pensadores contemporâneos como John Lennox e Stephen Hawking, em contrabalanço com Darwin e outros da antiguidade. Paralelo a isso, temos:
A muçulmana que começa a ter contato com a fé cristã, em detrimento aos modos ultraconservadores de seu pai;
O menino chinês que se encontra terrivelmente solitário ao ver que não pode falar sobre teologia com seu pai;
Mina, a esposa do professor de filosofia, que além de ter que suportar a descrença do marido, enfrenta problemas com seu irmão (esse, um dos vilões mais caricatos e insossos de todos os tempos), que preferiu renegar a própria mãe com alzheimer, e que ainda tem uma namorada que acaba de descobrir um câncer;
Os dois pastores que travam um combate de fé velado e com uma reviravolta até interessante.
Essa sopa de letrinhas, que a princípio serviria para mostrar que todos têm dificuldades, e que somente a fé poderia, literalmente, remover as montanhas de impecilhos que lhes são impostas.
A verdade é que, analisando friamente, o filme se passa como se fossem relatos de pessoas contando sobre suas provações, e como superaram. Mas para isso não precisava seguir tão ao pé da letra tudo que estava sendo relatado! Tirando algumas discussões que já são auto-explicativas, o filme carece de uma profundidade maior dos personagens, e isso seria muito bem aproveitado se diminuísse o número de protagonistas.
Soma-se a isso ao modo como os ateus são retratados, como seres repulsivos e traumatizados, que vivem única e exclusivamente para destruir a fé dos seguidores de Cristo a qualquer custo. Além do que, os modos brutais do professor poderiam muito bem ser revertidos com um bom e velho processo por assédio moral.
O terceiro ato do filme, que serviria para amarrar as pontas, torna-se uma verdadeira promoção de banda Gospel (nada pessoal contra as bandas, estou falando nisso no contexto do filme), e todo o turbilhão anterior acaba até sendo esquecido prontamente.
“Deus não está morto” é um filme que discute a fé contra o ateísmo, o humanismo versus Teocracia, mas peca ao tratar dos pontos humanos.
Recomendado para quem gosta de filmes cristãos, e mesmo assim, com muitas reservas.