sexta-feira, 29 de agosto de 2014

DEUS PODE NÃO ESTAR MORTO, MAS O ROTEIRO…

deus não está morto

Fui convidado por um jornal local a prestigiar a estréia do filme “Deus não está Morto”, e lá chegando, o primeiro sinal de um desastre iminente: filme dublado….

Pois bem, superado o trauma, comecei a assistir aos 112 minutos de filme que contam tantas histórias envolvendo a fé, que a trama se perde em falta de continuidade e sentido nas tragédias ali apresentadas.

deus não está morto1Basicamente o filme se desenvolve em torno de Joss Wheaton, um cristão que, ao ser confrontado por um professor de filosofia, decide provar para ele que Deus não está morto, mostrando argumentos de pensadores contemporâneos como John Lennox e Stephen Hawking, em contrabalanço com Darwin e outros da antiguidade. Paralelo a isso, temos:

A muçulmana que começa a ter contato com a fé cristã, em detrimento aos modos ultraconservadores de seu pai;

O menino chinês que se encontra terrivelmente solitário ao ver que não pode falar sobre teologia com seu pai;

Mina, a esposa do professor de filosofia, que além de ter que suportar a descrença do marido, enfrenta problemas com seu irmão (esse, um dos vilões mais caricatos e insossos de todos os tempos), que preferiu renegar a própria mãe com alzheimer, e que ainda tem uma namorada que acaba de descobrir um câncer;

Os dois pastores que travam um combate de fé velado e com uma reviravolta até interessante.

Essa sopa de letrinhas, que a princípio serviria para mostrar que todos têm dificuldades, e que somente a fé poderia, literalmente, remover as montanhas de impecilhos que lhes são impostas.

A verdade é que, analisando friamente, o filme se passa como se fossem relatos de pessoas contando sobre suas provações, e como superaram. Mas para isso não precisava seguir tão ao pé da letra tudo que estava sendo relatado! Tirando algumas discussões que já são auto-explicativas, o filme carece de uma profundidade maior dos personagens, e isso seria muito bem aproveitado se diminuísse o número de protagonistas.

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Soma-se a isso ao modo como os ateus são retratados, como seres repulsivos e traumatizados, que vivem única e exclusivamente para destruir a fé dos seguidores de Cristo a qualquer custo. Além do que, os modos brutais do professor poderiam muito bem ser revertidos com um bom e velho processo por assédio moral.

O terceiro ato do filme, que serviria para amarrar as pontas, torna-se uma verdadeira promoção de banda Gospel (nada pessoal contra as bandas, estou falando nisso no contexto do filme), e todo o turbilhão anterior acaba até sendo esquecido prontamente.

“Deus não está morto” é um filme que discute a fé contra o ateísmo, o humanismo versus Teocracia, mas peca ao tratar dos pontos humanos.

Recomendado para quem gosta de filmes cristãos, e mesmo assim, com muitas reservas.

quinta-feira, 14 de agosto de 2014

Tartarugas Transformers Vulcanizadas, Samurai de Prata Mãos de Tesoura, “1º de Abril’O Neil” e Paciência Samurai

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Sabe aquela teoria dos 15 anos (o que você viu com 15 anos de idade não pode ser revisto depois de um tempo)? Pois é…

Michael Bay se junta a Jonathan Liebesman (De “Fúria de Titãs 2”, para você já ter uma idéia…) e ambos decidem soltar no mercado mundial “As Tartarugas Ninja”. Dessa vez tudo foi feito diferente: sai toda a maquiagem e bonecos e entram Computações Gráficas, indicando que um filme que fez tanto sucesso nos anos 80 poderia ser revisitado e dar um grande retorno. Mas, como toda jornada começa com o primeiro passo, esse mostra ser um passo em falso, rumo a um abismo.

Michael Bay assina como produtor, mas dá pra ver que ele fez 99% do trabalho. E como os filmes de Michael Bay não fazem sucesso por causa do seu plot revelador e intrigante, dessa vez a fórmula serviu (e muito) para entregar um filme tão superficial, forçado, chanchado e pouco carismático, que eu (que não sou disso!) estava me perguntando quando aquilo tudo ia acabar.

E a todos que amam a história das 4 tartarugas, aqui vai uma dica que vai salvá-los de ter um derrame dentro do cinema: não, a história não foi aquela propagada no começo (que as tartarugas teriam origem alienígena). Sim, é muito, muito, muito pior. MUITO MUITO PIOR MESMO!!!

O filme tira totalmente a carga dramática da história original, de tal forma que sequer começamos a entender o que as tartarugas têm a ver com o Clã do Pé, já que, se tais criaturas vivessem nos esgotos comendo pizza e prendendo batedores de carteira, seriam infinitamente mais felizes. O que se tem é uma total inversão do roteiro, coisa que será bem entendida para quem se aventurar a assistir.

Já que a explicação inicial já tinha sido uma furada, o que nos resta é ver as animações em computação gráfica dos quatro irmãos, certo? Errado!!! O filme caracteriza-se também pela total falta de escala nos personagens, (como caudas que esticam, personagens que não conseguem sustentar o próprio peso com uma mão só, mas que conseguem dar impulso para levantar 3 pessoas de uma vez, e … tartarugas emborrachadas?!?!) sendo que o único que se destaca na obra é Rafael, que eu e meu amigo Ruy (que eu arrastei pra ver comigo), concordamos que ficou muito bem feito, e com uma dose de fúria que assusta.

Por último, mas não o pior, temos o Destruidor. QUE DIABOS É AQUILO?!?! Um misto de Samurai de Prata (“Wolverine Imortal”) com Edward Mãos de Tesoura e com a cara de Lord Zed (Power Rangers). Tenho certeza que aquele traje deveria ser um “Transformer” que ficou de fora do filme porque não dava espaço. E por falar em espaço, ai…

Michael Bay conseguiu repetir o erro do primeiro e segundo filme da série dos Autobots, com cenas de luta tão rápidas e tão de perto que sequer notamos quem está batendo em quem e porque, e com o que, e como. Ou seja, o que seria um dos atrativos do filme acabou tornando-o mais cansativo ainda. E eu falo “outro”, porque o alívio cômico de Michelangelo está tão forçado e insosso que somente UMA piada se salva.

Não vou nem entrar no quesito “elenco”, porque ele é completamente ridículo e pífio. Parece que todo mundo sabia que quem tinha que atuar bem era a computação gráfica e nem se esforçaram em atuar.

“As Tartarugas Ninja” é um filme deplorável, o pior filme que eu vi este ano, me arrependo amargamente de ter visto no cinema. Destruiu minha infância de tal forma que vou procurar os 2 primeiros filmes e assistí-los aos prantos.

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FUJA!!!!

quinta-feira, 31 de julho de 2014

EXPLOSÕES, TIROS, JÓIA DO INFINITO… E KEVIN BACON

 

 

Guardioes_da_galaxiaGuardiões da Galáxia, quando anunciado, não moveu o mundo. Até porque pouca gente conhece a saga da trupe liderada pelo “Starlord” Peter Quill. Mas conforme os trailers e posteres foram saindo, o público comprou a ideia, e com razão.

É um dos filmes que prendem não só pelas cenas de ação, mas pela história. E também, porque o filme não faz nenhuma menção de ser sério. Ele não se leva a sério. A todo momento temos uma piada aqui e ali, que não chegam a quebrar a ação, mas com certeza cortam toda e qualquer cena romântica que pode existir.

A trama conta a história de Peter Quill, abduzido da Terra em 1988, após a morte da mãe, que se junta a assassina profissional Gamora (Zoe Saldana), aos caçadores de recompensa Rocky e Groot (com vozes de Bradley Cooper e Vin Diesel), e Drax, um mercenário em busca de vingança. E como ninguém dá a mínima pra esse monte de gente, e só quer vê-los mortos (e eles também querem matar uns aos outros), a todo momento permeia a tensão e a pancadaria, com um destaque excelente pra Rocky, o cara que devia fazer par com Wolverine, de tão esquentado.

Mas conforme as coisas vão acontecendo, vemos que mesmo as decisões de uns e as burradas de outros tornam o grupo mais unido por um objetivo em comum. E esse objetivo não é salvar a galáxia.

O filme é socado de referências oitentistas, que é lançada sempre por Peter Quill. A trilha sonora é quase toda de músicas de época, de bandas como “The Runaways”, “10cc”, “Blue Swede”, e por aí vai. E é interessante notar que ninguém dá a mínima para o planeta Terra, tanto é que ela é sempre mencionada em tom de sarcasmo.

James Gunn acertou a mão ao trazer um filme que tem um tom essencialmente cômico, até porque, se fosse diferente, talvez não ficasse tão intrigante ver como aquela pataquada vai terminar. Mas mesmo assim, ao tratar dos vilões, o filme toma um tom sério e obscuro, com um destaque para Ronan (Lee Pace, tão bem caracterizado que assusta), um ser milenar que, em sua busca por vingança, acaba negociando com Thanos em troca da extinção de um planeta inteiro. guardians-of-the-galaxy-poster-ronan

Os efeitos especiais deram conta do recado e empolgam muito. Até porque, o filme é 90% feito disso.  E os tons de cores são excelentes, a paz do planeta contrastado com o tom diabólico de Ronan, a miséria da prisão estelar em comparação com o planeta “lugarnenhum”, tudo é feito com o objetivo de preparar o espectador para algum acontecimento mirabolante, cômico, incrível e completamente louco.

Chris Pratt atua em seu primeiro papel como protagonista principal, e tem um tom que tenta se assemelhar com o carimbado Robert Downey Jr. Seria interessantíssimo colocar esses dois juntos em algum filme no futuro.

Enfim, “Guardiões da Galáxia” é mais um filme da Marvel que se junta a todo seu universo cinematográfico, e dá pano para uma saga épica que se desenrola a cada filme. Para quem curte filmes de heróis, não vai se desapontar. E também é indicado para quem gosta de uma boa ficção.

RECOMENDADO AO EXTREMO!

Dica: vale muito, muito, muito a pena ficar até o final dos créditos. Principalmente para quem é fã…

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sexta-feira, 25 de julho de 2014

O PLANETA É DE NINGUÉM. MAS ISSO SÓ POR ENQUANTO…

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Quando os macacos causaram o confronto na Ponte Golden Gate, os humanos viram que os símios tinham saído do controle. Somado a isso, uma epidemia chamada “gripe símia” varreu quase a maioria dos humanos no planeta, e somente os que eram imunes ao vírus conseguiu sobreviver, em aldeias e vilarejos isolados, temendo outro ataque dos macacos que, na opinião deles, foram os causadores de tudo.

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“Planeta dos Macacos – O Confronto” segue a premissa do primeiro filme, porém, alguns anos á frente. Macacos não têm mais contatos com humanos, e grande parte do planeta já é tomada pela vegetação nativa, mostrando que os homens já não são tão numerosos sobre a Terra.

Nessa parte, há uma interpretação dúbia sobre o verdadeiro motivo do extermínio dos humanos. Mas mesmo as explicações mais lógicas são meras especulações, o que traz aquele sentimento de “qual é a verdade?”. Aliás, o filme carrega em si vários duelos de vontades, e isso faz com que ele fique mais amarrado e prenda mais o espectador, pois não temos uma história linear, no estilo “pronto, está aqui o que aconteceu”.

planeta4Enquanto o filme se desenrola, vemos uma verdadeira inversão de papéis, com humanos agindo como animais selvagens enquanto os macacos (ou grande parte deles) procuram uma conciliação. Isso eleva e muito a carga dramática, tendo em destaque “Olhos Azuis”, filho de Caesar, que presencia os dois lados da história, da mais pacífica, pregada por seu pai, a mais violenta, trazida por Koba, num dos maiores levantes que eu já vi.

Mas na verdade, “Planeta dos Macacos – O Confronto” pega um sentimento (o medo do desconhecido) e o divide em dois. E dentro dessa divisão, ainda há outra mais pungente, que traz à tona sentimentos que não são errados, e sim, irracionais (de certa forma).

E nessa torrente de acontecimentos, uma conspiração toma forma, com personagens fortes e carismáticos, que opinam sem força perante o monstro que já é personificado, tem um nome, e pior, todos os meios de se manter dominante.

O filme é extremamente bem feito, e não deixa a peteca cair em nenhum momento. Todos os diálogos servem para construir ou desconstruir uma ideia, dando ao espectador tempo para formar sua opinião (mesmo que um tanto unilateral), para mais tarde ficar em dúvida se o que está acontecendo é certo ou errado. E histórias assim, muito além dos efeitos especiais (que são um espetáculo) conseguem ter um apelo maior perante ao público que já estava familiarizado com a história clássica do piloto George Taylor.

Aliás, quem não assistiu a série clássica, é uma boa hora para conhecer a história, mesmo que esta se passe alguns anos no futuro. Isso porque mesmo ali, os velhos embates do passado ainda acontecem, de maneira mais ferrenha, e com um desfecho, no mínimo, interessante.

“Planeta dos Macacos – O Confronto”, é mais dos grandiosos filmes do ano, e merece ser visto várias vezes.

Recomendado ao extremo. porque o filme é f#$@ pra C…..!!!

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Até a próxima, pessoal!!

quinta-feira, 24 de julho de 2014

TUDO QUE PODE ACONTECER NUM DIA DOS NAMORADOS…

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Chega aos cinemas nesta quinta-feira o romance belga “Bistô Romantique”, uma obra deliciosa e despretensiosa que mostra os encontros e desencontros em cinco atos, do couvert ao prato principal, com direito a sobremesa.
Tudo nesse filme fala de amor, seja ele um amor encubado há 23 anos, seja um amor tipo “encontro às cegas”, ou mesmo um amor acidental. Até mesmo o amor de família é retratado nessa noite, mesmo que não seja lá muito acalentador.
É que o Bistrô Romantique, administrado por Pascaline, lutou para se reerguer. Desde a morte de seu pai, que tinha uma doceria, foi um caminho tortuoso para ela e seu irmão conseguir figurar entre os melhores restaurantes do país. Ainda mais com todos os desastres familiares que aconteceram nesse meio tempo. Mesmo assim, Pascaline e seu irmão, Paul (que é o Chef de cozinha), preferiram enterrar o passado e tocar a vida do jeito que podem.
No dia dos namorados, o cardápio especial está montado. Todas as mesas estão reservadas e então, um a um, os personagens vão surgindo, com suas histórias sendo contadas mais pelos seus comportamentos do que por uma narração simplória. Isso dá margem para uma interpretação que pode ir mudando de acordo com o tempo, uma vez que, nesse filme, nem sempre a primeira impressão é a que fica.BISTRÔ-ROMANTIQUE-Official-Poster-Banner-PROMO-PHOTOS-09JUNHO2014-01
E nesse contexto temos o casal de longa data, o tímido frequentador do restaurante, que está esperando uma pessoa que conheceu pela internet; um antigo amor de Pascaline, que surge depois de 23 anos para resgatar aquela que ele sempre amou; e uma misteriosa mulher, que se senta sozinha perto do bar. Outros casais estão em segundo plano, e é importante notar a diferença de comportamentos, seja de um casal gay que se senta à janela e mantém a paixão discreta a todo tempo, ou o casal de namorados que estão na fase da fascinação, com diálogos picantes e presentes inusitados, ou mesmo o simpático casal de idosos que mantém a chama do amor acesa depois de tantos anos de estrada.
Com o local lotado, começam a aparecer os pratos da noite, e nessa parte o filme se divide em cinco atos. Cada ato é um crescendo, e serve para mostrar que, até o prato principal, muita coisa ainda está por vir. Tanto é que, no ato do prato principal, já vemos o desenrolar da história, as decepções, as esperanças, o ódio e o amor em conflito, a insegurança. E isso não se reflete somente no salão, mas também na cozinha, e é aí que o filme dá a jogada de mestre.
Conforme a noite vai passando, toda a cobrança para uma noite perfeita faz com que todos os envolvidos com a preparação dos pratos fiquem com os nervos à flor da pele, principalmente Pascaline e seu irmão Angelo. Logo, verdades que ficaram escondidas por muito tempo vem à tona, atingindo a todos de forma incisiva.
“Bistrô Romantique” é um filme incrível de se ver. Gosto de filmes que envolvam culinária, como “Chocolat”. Me parece que isso traz um cuidado maior na caracterização dos personagens, suas reações conforme os pratos vão sendo apresentados, além de ter muito bom gosto.
Enfim, este é um romance que com certeza merece ser visto, e tenho certeza que muita gente vai pensar na vida e no relacionamento, ao se identificar com algum personagem.
Recomendado para casais e apaixonados.
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É isso aí, até a próxima!
ADENDO: Cinema no Espírito Santo é coisa complicada. Muitas vezes temos dezenas de salas passando o mesmo filme, mesmo que nenhuma delas esteja lotada, e filmes bons acabam passando em branco, como o nosso Bistrô aqui. É uma pena, eu sei, mas fazer o que?

sábado, 19 de julho de 2014

TRANSCENDENCE–CHEGAR AO LIMITE SEM TRANSPOR NADA.

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Dr. Will Caster era humano. Inteligentíssimo, porém estranho. Com muitos fãs, gostava de falar da “singularidade”, estágio onde o homem transcenderia a si mesmo, numa escala que não poderia ser calculada por nós, ainda em ascenção. Questionado se queria ser como Deus, Will brinca com a prerrogativa de todos os seres humanos: “não é isso que sempre tentamos fazer?”

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Mas todo o avanço de Will depara-se com o fator humano. Vítima de um atentado, é baleado com uma bala radioativa, que vai deteriorando seu corpo lentamente, deixando com mais ou menos 1 mês de vida.

Inconformada com a situação, e analisando pesquisas de seu esposo, Evelyn propõe algo inusitado: fazer o upload de toda a mente de Will para um computador super poderoso, para que assim, ele possa continuar suas pesquisas. Com ajuda de seu amigo, Max, convencem ao deteriorado Will a participar do projeto, sem saber se funcionaria ou não. Até que, após o falecimento do esposo, Evelyn começa a ter contato com a suposta mente de Will.

E pronto, essa é a salada do filme. Quando comecei a assistir, eu já vinha de filmes antigos como “Passageiro do Futuro” e “Controle Absoluto”, este mostrando como uma máquina poderia dominar o mundo se houvesse consciência suficiente. O outro mostra uma versão mais primitiva de singularidade, contando com um crescimento na atividade cerebral de uma pessoa retardada, até o ponto dele se conscientizar que seu cérebro só não era capaz de suportar toda a informação que estava processando.

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Mas “Transcendence” é como um buffê de restaurante protegido com vidros ultra resistentes. Você vai com tanta fome, e não nota toda a barreira existente ali. E esse filme é exatamente isso.

A obra funciona como uma peça de quebra-cabeça deslocada, em que todas as outras peças foram perdidas ou serão reveladas em um plano subsequente. Não que ele não seja um bom filme, ele é sim muito bonito e até utópico em algumas cenas, mas não se aventurou mais em expôr os limites da mente quando combinadas a uma maquina conectada ao mundo.

Muitas questões vão se passar na cabeça do espectador, mas não espere encontrar todas as respostas. Transcendence oferece um questionário completo sem o gabarito necessário para se impor como uma obra de ficção que transcendeu seu tempo. Talvez isso se deva a Wally Pfister, o diretor, já que é sua primeira obra que dirige. O roteiro também é escrito pelo estreante Jack Paglen, e faltou a edição de alguém maior.

O grande destaque fica para Rebecca Hall, que já vinha mostrando um bom desempenho em Hollywood, fazendo papéis expressivos em “Homem de Ferro 3”, “Atração Perigosa” e “O Retrato de Dorian Gray”. Ela sabe conduzir a tensão do filme em todos os momentos, desde a perda do marido até as descobertas que uma mente liberta de seu corpo pode ter.

Kate Mara faz o papel de uma militante de um movimento que quer impedir a singularidade, mas, por causa da falta de suporte não pôde ser mais explorada. Assim como Cillian Murphy, que parece perdido o tempo todo. Morgan Freeman está bom como sempre e Paul Bettany está competente.

De qualquer forma, “Transcendence – A Revolução” é um filme bom, que diverte, mas é medroso em pisar fora das linhas.

Recomendado para quem curte filmes de ficção.

E vocês, curtem filmes de ficção? O que faltou em “Transcendence”? Não deixe de expor suas opiniões! Tio Poke agradece!!

Um crime de Paixão– O ajuste de contas e o preço a se pagar.

reckoningComo matéria inaugural do blog, vou postar sobre esse filme, que é um dos melhores que eu já vi.

“Um Crime de Paixão” (The Reckoning) é um filme no estilo “O Nome da Rosa”, com atores fortes e carismáticos, uma narrativa envolvente e apaixonante e um final digno de uma obra épica.

A trama gira em torno de Nicholas (Paul Bettany, num de seus melhores papéis), um padre com um passado obscuro que, ao fugir da cidade onde atuava, é recebido por uma companhia de teatro itinerante de Martin (o sempre bom Willem Dafoe). Esse grupo de mambembes viajam de vila em vila, apresentando-se com peças já ensaiadas, ou então retratando algum acontecimento na cidade.

Ao chegar em seu novo local de apresentação, a companhia presencia o julgamento de uma mulher, que é condenada à morte por assassinato. Intrigados com todo o mistério do acontecimento, decidem retratar a peça de teatro de acordo com os acontecimentos descobertos durante suas investigações.

Conforme o tempo vai passando e novas verdades vêm à tona, tanto Nicholas como Martin percebem que tal jogo vai levá-los a um incrível jogo de “verdade ou consequência”, em que todos sairão perdendo de alguma forma.

A história do filme vai se afunilando até o final surpreendente e chocante, deixando o espectador de queixo caído.

reckoning (1)Apesar de filmes de época hoje em dia não usarem muito do talento dos atores, preferindo usar efeitos especiais a todo tempo, esse filme mostra um lado mais cru, sombrio e triste de um tempo onde a impunidade andava de mãos dadas com a aristocracia. Todos já estavam conscientes de seu papel no mundo, devido aos ensinamentos da Igreja, então o que restava era simplesmente esperar pelo pior a qualquer momento, seja pela peste, seja por saques, ou mesmo assassinatos sem solução.

Esse filme, de certa forma, exemplifica muito o que acontece hoje em dia. Estamos vivendo numa época onde falcatruas políticas viram piadas no sentido de conscientizar a população, mas sem efeito. Estamos nos condicionando a um estilo de vida onde já sabemos que nada vai mudar, não importa o quanto lutemos. Quem tenta conscientizar as pessoas acaba sendo alvo de estratagemas tão complicados, que o final não poderia ser diferente: sepulturas comuns, com uma história repleta de mistérios e um crime sem solução.

Mas esse sou eu, divagando. “Um Crime de Paixão” conta uma história incrível, de uma maneira surpreendente e honesta, e merece estar entre os melhores filmes épicos já feitos.

Recomendado ao extremo!

E ae, sobrinhos, não se esqueçam de compartilhar o conteúdo do blog, para que mais pessoas façam parte de nosso círculo de apreciadores. Também peço que não deixem de comentar suas impressões, esse é um espaço onde vocês podem falar o que quiserem. Titio agradece!!