Dr. Will Caster era humano. Inteligentíssimo, porém estranho. Com muitos fãs, gostava de falar da “singularidade”, estágio onde o homem transcenderia a si mesmo, numa escala que não poderia ser calculada por nós, ainda em ascenção. Questionado se queria ser como Deus, Will brinca com a prerrogativa de todos os seres humanos: “não é isso que sempre tentamos fazer?”
Mas todo o avanço de Will depara-se com o fator humano. Vítima de um atentado, é baleado com uma bala radioativa, que vai deteriorando seu corpo lentamente, deixando com mais ou menos 1 mês de vida.
Inconformada com a situação, e analisando pesquisas de seu esposo, Evelyn propõe algo inusitado: fazer o upload de toda a mente de Will para um computador super poderoso, para que assim, ele possa continuar suas pesquisas. Com ajuda de seu amigo, Max, convencem ao deteriorado Will a participar do projeto, sem saber se funcionaria ou não. Até que, após o falecimento do esposo, Evelyn começa a ter contato com a suposta mente de Will.
E pronto, essa é a salada do filme. Quando comecei a assistir, eu já vinha de filmes antigos como “Passageiro do Futuro” e “Controle Absoluto”, este mostrando como uma máquina poderia dominar o mundo se houvesse consciência suficiente. O outro mostra uma versão mais primitiva de singularidade, contando com um crescimento na atividade cerebral de uma pessoa retardada, até o ponto dele se conscientizar que seu cérebro só não era capaz de suportar toda a informação que estava processando.
Mas “Transcendence” é como um buffê de restaurante protegido com vidros ultra resistentes. Você vai com tanta fome, e não nota toda a barreira existente ali. E esse filme é exatamente isso.
A obra funciona como uma peça de quebra-cabeça deslocada, em que todas as outras peças foram perdidas ou serão reveladas em um plano subsequente. Não que ele não seja um bom filme, ele é sim muito bonito e até utópico em algumas cenas, mas não se aventurou mais em expôr os limites da mente quando combinadas a uma maquina conectada ao mundo.
Muitas questões vão se passar na cabeça do espectador, mas não espere encontrar todas as respostas. Transcendence oferece um questionário completo sem o gabarito necessário para se impor como uma obra de ficção que transcendeu seu tempo. Talvez isso se deva a Wally Pfister, o diretor, já que é sua primeira obra que dirige. O roteiro também é escrito pelo estreante Jack Paglen, e faltou a edição de alguém maior.
O grande destaque fica para Rebecca Hall, que já vinha mostrando um bom desempenho em Hollywood, fazendo papéis expressivos em “Homem de Ferro 3”, “Atração Perigosa” e “O Retrato de Dorian Gray”. Ela sabe conduzir a tensão do filme em todos os momentos, desde a perda do marido até as descobertas que uma mente liberta de seu corpo pode ter.
Kate Mara faz o papel de uma militante de um movimento que quer impedir a singularidade, mas, por causa da falta de suporte não pôde ser mais explorada. Assim como Cillian Murphy, que parece perdido o tempo todo. Morgan Freeman está bom como sempre e Paul Bettany está competente.
De qualquer forma, “Transcendence – A Revolução” é um filme bom, que diverte, mas é medroso em pisar fora das linhas.
Recomendado para quem curte filmes de ficção.
E vocês, curtem filmes de ficção? O que faltou em “Transcendence”? Não deixe de expor suas opiniões! Tio Poke agradece!!
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