sexta-feira, 23 de agosto de 2013

SEM DOR, SEM GANHO – ATÉ ONDE UMA HISTÓRIA REAL BRUTA VIRA UM BOM FILME DE COMÉDIA?

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Chega aos cinemas brasileiros a “comédia” de ação Sem dor, Sem Ganho de Michael Bay.
A história narra a tentativa desesperada de Daniel Lugo em conseguir vencer na vida. Vendo todos os seus esforços frustrados por erros que insistentemente coloca nos outros, e incentivado por Johnny Wu, um falastrão que prega auto-ajuda para o sucesso, Danny não tem mais dúvidas: assim como Corleone, que não passou a vida inteira entregando toalhas, ele também ia ter sucesso.
Só que para isso, ele decide sequestrar o dono de uma rede de fast food, um colombiano naturalizado americano Victor Kershaw e obrigá-lo a assinar apólices de transferência de todos os seus bens. Para isso, ele recruta Adrian, um fisiculturista com problemas de ereção por causa de anabolizantes, e Paul Doyle, um viciado em cocaína recém saído da prisão e tentando reconstruir a vida no modo “Jesus Style”.
Só que Danny não contava com a máxima universal “O que começa errado, não termina certo”, e logo se vê numa espiral de cobiça cada vez maior, obrigando-o a não medir esforços para conseguir realizar seu sonho.
Tem-se aqui todos os elementos de uma comédia de ação: Danny tentando parecer inteligente mas cercado de planos furados, associados com sua crescente paranóia que ele merece ser o possuidor de todos os bens do mundo. Adrian é o puxa-saco amigo de Danny que se esconde do seu problema atrás de treinos de academia e injeções de anabolizantes. E Paul é o alívio cômico do filme, com seu jeitão atrapalhado que, embora não queira fazer mal a ninguém alegando que é um homem mudado, não consegue largar seu vício.
Tudo isso funcionaria muito bem, se não fosse um pequeno detalhe: O filme é uma história real de um caso que repercutiu Miami em 1995, causou a morte de duas pessoas inocentes e a condenação à morte de Adrian e Danny, além de mais uma pessoa que morreu na prisão.
Apesar do filme ser muito bom, confesso que me senti totalmente desconfortável com o rumo que ele levou. Assisto a centenas de filmes baseados em história real, mas acho que esse aqui foi o que me deixou mais pasmo. Toda a violência é banalizada a níveis estratosféricos, e a jogada de cores usada por Michael Bay serve para que se desvie a atenção de tudo o que está acontecendo na tela. Mas a partir de 1 hora e 20 minutos, toda aquela paleta de cores me deixou enojado.
O filme tem todos os moldes de filmes do mesmo diretor: cenas de avião por cima do ator, várias cenas em câmera lenta, mulheres em biquinis brilhantes, só não tem tantas explosões. Mesmo assim, muitas pessoas assistirão sem sequer pensar que é uma história real.
Um filme bom, que poderia ser melhor se tratasse a vida como algo sério, sem tanto ludismo. Nota 5,0.

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