Ao se deparar com este título, somos levados a crer que o filme seguirá a premissa de (quase) todos os filmes de romance no estilo Nicholas Sparks. Mas o diretor Terrence Malick conseguiu mostrar outra faceta de um sentimento que (achamos que) conhecemos.
O filme procura trilhar todo o caminho que tentamos percorrer para chegar “às maravilhas” (aliás, esse é o nome correto do filme: to the wonder). E este caminho não foi previamente pavimentado por outra pessoa, ele encontra um terreno duro, muitas vezes bonito, outras vezes áspero e duro, mostrando que cada um percorre este trajeto do jeito que sabe, ou quer.
Tanto é que, além do relacionamento entre Neil e Marina, há também a jornada do Padre Quintana. Ele sente que também precisa encontrar a felicidade, do seu próprio jeito, não por causa de um parceiro, não no amor de outra pessoa, mas no amor à divindade, algo que ele deveria ter, mas que parece ter se perdido com o tempo. Outras pessoas aparecem para tentar explicá-lo como achar a felicidade, mas não parecem convencê-lo. Todas as questões levantadas por ele durante o filme são perguntas que quase todos já fizemos: “O que quer de mim?”, “Por quanto tempo vai se esconder?”.
Entre Neil e Marina, diferente do padre, há a tentativa de novos recomeços, tanto com a despedida, como a chegada de outra pessoa, o retorno do passado, a mudança, a distância, o diálogo sobre liberdade, a traição, o perdão e a segunda despedida. Não há nenhum caminho que não seja percorrido durante a exibição do filme, que usa o tom introspectivo para dissertar cada situação, o que torna o filme infinitamente mais interessante. “Escrevo sobre a água o que não ouso dizer”…
É realmente difícil falar alguma coisa sobre o filme sem ressuscitar sentimentos antigos. Afinal, todos nós passamos por situações mostradas no filme, e estamos nos identificando com os cenários o tempo todo. Quem nunca ficou calado quando tinha que falar alguma coisa? Quem nunca chorou quando devia sorrir? Quem nunca achou que deveria abrir a porta e simpesmente ir embora, perseguindo o vento, até todas as pessoas se tornarem desconhecidas?
Deveras, “Amor Pleno” é um filme para ver com muita calma, analisando completamente cada situação, sem procurar por culpados. Digo isso porque muitas vezes eu culpei uma pessoa em uma parte do filme, para me compadecer dela 2 minutos depois. No amor não há culpados, assim como não há inocentes.
Filme recomendado ao extremo para pessoas que gostam de flertar com um sentimento profundo, que não ousamos dizer a ninguém, e preferirmos “narrar” dentro de nós. E tenho certeza que esse filme vai ficar marcado em mim por um bom tempo. Afinal, uma das maiores perguntas que ainda procuro (ou procuramos) resposta é: “Que amor é esse que nos ama, que vem de lugar nenhum?”
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